Sweet Hydrothorax: relato de caso de uma complicação rara da diálise peritoneal

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Lucas Maciel de Almeida Corrêa
Pedro Henrique Alves de Freitas Martins
Caroline Ogea Tavares
Paola Beatriz Souza Ferrés
Neide Missae Murai
Fernanda Cristina Gomes Camelo
Horácio José Ramalho

Resumo

O hidrotórax associado à diálise peritoneal (sweet hydrothorax)
é uma complicação rara, não infecciosa e potencialmente grave
da diálise peritoneal (DP). Relatamos o caso de uma paciente de
57 anos com doença renal crônica terminal que iniciou terapia
renal substitutiva em DP; em poucos dias apresentou dispneia
importante e a radiografia evidenciou volumoso derrame pleural
à direita. Foi realizada drenagem torácica com saída de 2300mL
de líquido citrino e a análise mostrava aspecto de transudato,
com culturas negativas e glicose pleural muito elevada (440mg/
dL) em relação à sérica (157mg/dL), com relação pleural/sérica
de 2,8 e baixos níveis de proteínas, altamente sugestivo de comunicação
pleuroperitoneal. Observou‑se aumento do débito
no dreno logo após a infusão do dialisato e, para confirmação,
instilou‑se azul de metileno no dialisato e foi realizada infusão em
cavidade abdominal, evidenciando drenagem pleural da mesma
coloração àquela infundida. Optou‑se pela suspensão da DP e
transição para hemodiálise (HD), com resolução completa da
dispneia e boa adaptação clínica subsequente. Este caso ressalta
que dispneia precoce após início de DP deve levantar suspeita
de sweet hydrothorax; a glicose pleural elevada e o teste com azul
de metileno são estratégias diagnósticas acessíveis, e o manejo
frequentemente requer interrupção da DP e transição para HD
pela grande dificuldade técnica na correção cirúrgica.

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Seção
Relatos de Casos