Notícias da Saúde

 

 

Dr. Humberto Graner

 

O cardiologista brasileiro e professor da divisão de cardiologia da Duke University, Dr. Renato Lopes, apresentou um importante estudo na sessão de Late Breaking Clinical Trials, no qual identificou um risco aumentado de morte por qualquer causa em pacientes com fibrilação atrial que iniciavam o uso de digoxina, independente de terem ou não insuficiência cardíaca.

 

Os debatedores relatam que o estudo é uma das maiores e mais abrangentes análises do risco de uso de digoxina em pacientes com FA realizados até o momento.

 

Havia incertezas quanto à segurança da digoxina em pacientes com fibrilação atrial (FA). Apesar disso, as diretrizes nacionais e internacionais ainda recomendam a digoxina para controle de frequência em pacientes com FA sintomática, independente da presença ou não de IC.

 

Utilizando dados do estudo ARISTOTLE, os autores exploraram os dados sobre a prescrição e níveis séricos de digoxina e suas relações com a mortalidade, independente de haver ou não insuficiência cardíaca (IC) concomitante. O estudo ARISTOTLE randomizou mais de 18 mil pacientes para utilizarem apixabana ou varfarina para a prevenção de complicações tromboembólicas em pacientes com FA. Nesse estudo, a apixabana foi superior à varfarina na prevenção de eventos tromboembólicos, assim como também na redução de mortalidade e de sangramento. Do total de pacientes envolvidos no estudo, foram identificados 17.897 que continham dados sobre a presença de insuficiência cardíaca e o uso de digoxina.

 

Sobre o impacto da digoxina nessa população, foram realizadas dois tipos de análises: prevalência (pacientes que já faziam uso de digoxina no início do estudo) e incidência (a digoxina foi prescrita ao longo do seguimento do estudo). As taxas de eventos foram computadas e a associação entre o uso de digoxina e mortalidade foi avaliada utilizando a análise de propensão, após ajuste para características basais, medicamentos em uso, dados laboratoriais e biomarcadores.

 

Do total de pacientes analisados, 5824 (32%) estavam em uso de digoxina no início do estudo, tendo sido obtido os níveis séricos de digoxina em 4434 destes (76%); 6693 (37%) tinham IC de base. Após o ajuste de propensão, o fato de já utilizar a digoxina no início do estudo não foi associada à mortalidade (HR ajustado 1,09, IC95% 0,96-1,23). No entanto, quando os níveis séricos basais de digoxina eram maiores que 1,2 mg/dL houve um aumento significativo de 56% de mortalidade (HR ajustado 1,56, IC95% 1,2-2,04). Estes achados foram semelhantes em pacientes com e sem IC. Os níveis séricos basais de digoxina mostraram associação direta e linear com a mortalidade: o risco de morte aumentou 19% para cada 0,5 ng/mL de incremento na digoxinemia.

 

O risco de morte foi ainda maior para os pacientes que não estavam tomando digoxina antes do estudo, mas iniciaram o uso durante o seguimento do estudo. Esses pacientes tiveram um aumento de 78% no risco de morte por qualquer causa (HR 1,78; IC 95% 1,37 - 2,31). Além disso, houve um aumento no risco de morte súbita de até 4 vezes entre os novos usuários de digoxina (HR 4,0, IC 95% 1,90-8,47).

 

Os autores concluíram que o uso de digoxina esteve associada ao aumento da mortalidade em pacientes com FA, independente da presença de IC. O aumento dos níveis de digoxina esteve associado a um aumento do risco de morte.

"Nossos achados sugerem que a digoxina não deve ser usada em pacientes com FA", afirma Dr. Renato Lopes. "A maioria das mortes súbitas ocorreu dentro de seis meses após o início da digoxina", disse Lopes, ainda discutindo o estudo na plenária principal, "isso sugere causa e efeito, embora o fato de que os pacientes não foram randomizados para digoxina impeça uma determinação definitiva de causalidade".

 

Este é um estudo que reacende a discussão sobre a digoxina no contexto de fibrilação atrial, colocando-a definitivamente, em xeque nesse contexto. É natural que o fato de ser um estudo observacional dentro de um grande ensaio clínico possa oferecer algumas limitações. Além disso, para os pacientes que estavam em uso de digoxina no início do estudo, os pesquisadores não sabiam por quanto tempo eles tinham tomado a medicação antes de entrar no estudo. Apesar disso, o estudo é o mais abrangente no campo até o momento, incorporando grande número de variáveis clínicas, ajustes de biomarcadores e níveis de digoxina no sangue, oferecendo uma consistente resposta. Até porque, é improvável que haja financiamento para um grande ensaio clínico randomizado com digoxina, uma medicação centenária, mas cujas indicações para uso contemporâneo estão cada vez mais restritas.

 

Veja mais informações na entrevista concedida a SBC durante o ACC 2017:

https://www.youtube.com/edit?o=U&video_id=CVB67gypF3A

A transmissão da dengue no mês maio foi 68% menor na comparação com o mês de abril. Novo boletim da dengue, divulgado nesta terça-feira (9) pelo Ministério da Saúde, mostra que em abril foram registrados 348,2 mil casos contra 111,1 mil em maio. Com a chegada do inverno, a tendência é de continuar a redução dos casos da doença. Entretanto, o Ministério da Saúde reforça que as medidas de prevenção devem ser mantidas durante todo o ano.


Até o dia 30 de maio, foram registrados 1 milhão de casos prováveis de dengue. A região Centro-Oeste apresentou a maior incidência de casos, com 787,9/100 mil habitantes (119.912 casos); seguida pelas regiões Sudeste, com 775,3/100 mil habitantes (659.900 casos); Nordeste, com 288,4/100 mil habitantes (162.053 casos); Sul, com 187,7/100 mil habitantes (54.473 casos); e Norte, com 142,9/100 mil habitantes (24.666 casos). O Ministério da Saúde também foi notificado de 378 óbitos e 314 casos graves no mesmo período de 2015.

A decisão foi tomada nesta quinta-feira durante a segunda reunião do Grupo de Trabalho para reformulação do Decreto 8.497/2015. A principal preocupação da Associação Médica Brasileira (AMB) era com as brechas legais abertas por artigos no decreto, que permitiam que o governo interferisse unilateralmente nas formas de certificação dos médicos especialistas no Brasil e na qualidade da formação desses profissionais.

A garantia de que o decreto não irá interferir na formação dos médicos especialistas é consequência do acordo feito pelo Grupo de Trabalho formado por representantes do governo, das entidades médicas e da Câmara dos Deputados.

Em linhas gerais, o acordo prevê que o decreto normatize o Cadastro Nacional de Especialistas e garanta segurança jurídica para o modelo vigente de formação de especialistas, conduzido desde 2002 pela Comissão Mista de Especialidades.

Duas rodadas de reuniões internacionais, nesta primeira quinzena de junho, darão continuidade aos preparativos para a realização, em Brasília (DF), da “2ª Conferência Global de Alto Nível sobre Segurança no Trânsito – Tempo de Resultados”. O evento, que deve reunir 1,5 mil participantes de cerca de 150 países, terá entre os objetivos avaliar o andamento das iniciativas para redução das mortes e lesões ocorridas no trânsito em todo o mundo.

Nesta sexta-feira (5), em Genebra (Suíça), delegações dos Estados-Membros da Organização das Nações Unidas (ONU) farão mais uma rodada de discussões para ajustes na Declaração de Brasília sobre Segurança no Trânsito. O documento, contendo compromissos dos países participantes, será debatido, fechado e aprovado até o evento mundial. O texto passou por consultas públicas preliminares nos países que integram o grupo Amigos da Década. De 8 a 10 de junho, as delegações do Amigos da Década – composto de 22 países, três organizações do sistema ONU e duas organizações não-governamentais –têm sua terceira reunião em Gotemburgo, Suécia, para refinamento da organização, dos temas e da condução da conferência global.

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