Artigos de Opinião

Antonio Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica

Dias atrás, fui surpreendido com a notícia de que foi ressuscitado no mundo político um lobby pela liberação do amianto, fibra que mata 100 mil pessoas ao ano por causar câncer e outros tumores. Fazem parte do grupo os senadores Vanderlan Cardoso (PP-GO), Luiz do Carmo (MDB-GO), Chico Rodrigues (DEM-RR), além do próprio presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre.

Vale lembrar que o amianto é proibido em 60 países, em virtude dos riscos à saúde eàvida. No Brasil, o impedimento só se deu há dois anos, quando o STF (Supremo Tribunal Federal) tornou ilegais a comercialização e a distribuição da variedade crisotila.

Por incrível que pareça, o retrocesso para a saúde pública tem também à frente um médico: o governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Ele e seus demais colegas tentam liberar a produção da Sama Minerações, com o discurso de que há gente perdendo emprego, que o Estado ganhará em geração de riquezas e por aí vai.

Ora, é obrigação de qualquer médico ter a vida do ser humano em primeiro lugar, sempre. Se o fim da produção acaba com postos de trabalho, cabe à classe política de Goiás e do Brasil criar alternativas para a absorção dessa mão de obra em funções que não tragam perigo à saúde.

 O amianto do tipo crisotila é base para a fabricação de diversos produtos, principalmente de telhas e caixas d’ água. Trata-se de mineral que podem durar até 70 anos.

Em caso de inalação, provoca mutações celulares, muitas vezes originando tumores, câncer de pulmão e a asbestose, doença incurável resultante do depósito de amianto nos alvéolos pulmonares. A contaminação é lenta e seus danos são conhecidos desde a década de 1930.

Essa é mais uma demonstração de que a saúde, no Brasil, não é minimamente levada a sério. Ao contrário. Vivemos tempos de predadores, como já estamos cansados de ver na rede suplementar. Hoje, os planos e seguros saúde representam um setor biliardário em nosso País. São cerca de 50 milhões de pacientes que pagam, desde bebês, sendo que jamais ficaram doentes todos de uma vez.

Os empresários do setor ganham dessa forma rios do dinheiro, sem falar que, quando enviam algum enfermo para a alta complexidade do sistema de saúde (ou seja, os procedimentos mais custosos), não ressarcem o Estado, ampliando a crise da rede pública de assistência.

 Esses mesmos planos de saúde também buscam sempre formas de ignorar a lei. Desde que, em 1998, a Lei 9.656 passou a dar guarida maior aos pacientes, dificultando negativas de cobertura, eles começaram a atacar os prestadores, entre os quais os médicos. Além de praticar remuneração vil, muitos pressionam para que sejam reduzidos exames, uma série de procedimentos e até internações.

Pior é que todo mundo sabe, mas ninguém faz absolutamente nada para moralizar a saúde suplementar, para defender os pacientes e resguardar os profissionais.

Enquanto situações desse gênero forem recorrentes no Brasil, a população permanecerá em grave risco. Como quem deveria nos representar dá a impressão de não ter interesse, vamos nós abrir os olhos e manter, via conscientização, a esperança de mudanças positivas.

Texto publicado originalmente em 6 de maio no Diário do Grande ABC

 Por Cesar Oliveira Janoti*

Em vigor a partir de 30.04.2019, o renovado estatuto deontológico tende a avançar da moral estritamente paternalista ao modelo de maior respeito à autonomia da vontade.

Fruto de quase três anos de intensas discussões, o Novo Código de Ética Médica buscou adequar o exercício da Medicina às questões éticas atuais decorrentes principalmente das mudanças da sociedade, da compreensão sobre a vida e a morte, da evolução tecnológica e da mercantilização e judicialização da saúde, aproximando-se de padrões internacionais e de novas leis pátrias, sempre com o objetivo precípuo de atribuir equilíbrio e segurança à relação médico-paciente.


Dentre as principais inovações, acrescentou-se ao rol de princípios fundamentais a necessidade do exercício da Medicina mediante a utilização dos melhores “meios técnicos e científicos disponíveis” (capítulo I, item XXVI), o que não se confunde com o imperativo utópico de emprego dos melhores métodos e procedimentos existentes, e, por conseguinte, norteia o atuar médico dentro de balizas circunstanciais plausíveis.

Todo 16 de março é dia de comemoração para a Medicina e a Ciência do País. Celebramos, simultaneamente, o aniversário da Sociedade Brasileira de Clínica Médica (SBCM), que completa 30 anos, e o dia do Clínico. A data é responsável por destacar a especialidade com a maior quantidade de médicos titulados no Brasil. Só pela SBCM, esse número já passa dos 4.500 especialistas.

Apesar dos muitos obstáculos e desafios que cercam nossa profissão – desvalorização no Sistema Único de Saúde (SUS), má remuneração pelos planos de saúde, assim como a abertura indiscriminada de faculdades sem estrutura mínima adequada à boa formação –, sabemos que a Clínica Médica é a especialidade da competência diagnóstica, da prevenção, do tratamento cuidadoso e do afeto ao paciente. De salvar vidas e, quando não for possível, aliviar o sofrimento, garantindo qualidade à existência. Do olhar generoso e humanístico.

A história de resistência e empoderamento das mulheres existe desde que o mundo é mundo. Data de sempre, dos primórdios, da Idade da Pedra. 

O Dia Internacional da Mulher, para ser exato, não possui relação direta com o incêndio ocorrido em Nova York, em 25 de março de 1911 na Triangle Shirtwaist Company, quando 146 trabalhadores morreram, sendo 125 mulheres e 21 homens (a maioria judeus), que trouxe à tona as más condições enfrentadas por mulheres na Revolução Industrial.

A correlação mais palpável é que teria surgido a partir de uma passeata de americanas, também em Nova York, em fevereiro de 1909.  Seja como for, o certo é que, diferentemente do que muitos creem, o 8 de março só foi reconhecido oficialmente como Dia Internacional da Mulher pelas Nações Unidas em 1977. 

Viver no Brasil nos dias de hoje realmente não está fácil. Se fizermos uma análise da situação, sem mesmo se aprofundar, a conclusão facilmente pode ser a de que, diante de tantos os desmandos e absurdos, talvez seja melhor largar tudo. Há horas que dá até vontade de sentar à beira da calçada e ficar chorando até ganhar raiz.

Só nos dois primeiros meses de 2019, já temos um saldo gigante de dor e tristezas. Brumadinho, os meninos do Ninho do Urubu, do Flamengo, a perda de Ricardo Boechat, em uma aeronave não habilitada para transporte de passageiros e por aí segue.

“Ser médico e colocar em prática o amor ao próximo”
Antonio Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica


Atravessamos uma semana em que a classe médica ficou em polvorosa. O centro da polêmica foi (e continua sendo) a Resolução 2.227/2018, do Conselho Federal de Medicina, que define e disciplina a telemedicina como forma de assistência mediada por tecnologias. 

Entre outras novidades, a normativa, prevista para entrar em vigor daqui três meses, estabelece que os médicos brasileiros poderão realizar consultas online, assim como telecirurgias e telediagnóstico, entre outras formas de assistência à distância. Enfim, abre uma lacuna perigosa, já que é bem genérica e ampla. 

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