Artigos de Opinião

Todo 16 de março é dia de comemoração para a Medicina e a Ciência do País. Celebramos, simultaneamente, o aniversário da Sociedade Brasileira de Clínica Médica (SBCM), que completa 30 anos, e o dia do Clínico. A data é responsável por destacar a especialidade com a maior quantidade de médicos titulados no Brasil. Só pela SBCM, esse número já passa dos 4.500 especialistas.

Apesar dos muitos obstáculos e desafios que cercam nossa profissão – desvalorização no Sistema Único de Saúde (SUS), má remuneração pelos planos de saúde, assim como a abertura indiscriminada de faculdades sem estrutura mínima adequada à boa formação –, sabemos que a Clínica Médica é a especialidade da competência diagnóstica, da prevenção, do tratamento cuidadoso e do afeto ao paciente. De salvar vidas e, quando não for possível, aliviar o sofrimento, garantindo qualidade à existência. Do olhar generoso e humanístico.

A história de resistência e empoderamento das mulheres existe desde que o mundo é mundo. Data de sempre, dos primórdios, da Idade da Pedra. 

O Dia Internacional da Mulher, para ser exato, não possui relação direta com o incêndio ocorrido em Nova York, em 25 de março de 1911 na Triangle Shirtwaist Company, quando 146 trabalhadores morreram, sendo 125 mulheres e 21 homens (a maioria judeus), que trouxe à tona as más condições enfrentadas por mulheres na Revolução Industrial.

A correlação mais palpável é que teria surgido a partir de uma passeata de americanas, também em Nova York, em fevereiro de 1909.  Seja como for, o certo é que, diferentemente do que muitos creem, o 8 de março só foi reconhecido oficialmente como Dia Internacional da Mulher pelas Nações Unidas em 1977. 

Viver no Brasil nos dias de hoje realmente não está fácil. Se fizermos uma análise da situação, sem mesmo se aprofundar, a conclusão facilmente pode ser a de que, diante de tantos os desmandos e absurdos, talvez seja melhor largar tudo. Há horas que dá até vontade de sentar à beira da calçada e ficar chorando até ganhar raiz.

Só nos dois primeiros meses de 2019, já temos um saldo gigante de dor e tristezas. Brumadinho, os meninos do Ninho do Urubu, do Flamengo, a perda de Ricardo Boechat, em uma aeronave não habilitada para transporte de passageiros e por aí segue.

“Ser médico e colocar em prática o amor ao próximo”
Antonio Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica


Atravessamos uma semana em que a classe médica ficou em polvorosa. O centro da polêmica foi (e continua sendo) a Resolução 2.227/2018, do Conselho Federal de Medicina, que define e disciplina a telemedicina como forma de assistência mediada por tecnologias. 

Entre outras novidades, a normativa, prevista para entrar em vigor daqui três meses, estabelece que os médicos brasileiros poderão realizar consultas online, assim como telecirurgias e telediagnóstico, entre outras formas de assistência à distância. Enfim, abre uma lacuna perigosa, já que é bem genérica e ampla. 

Nos dias de hoje, fala-se muito em Medicina baseada em evidência. Porém, esse conceito amplo embute também os significados conquistados em virtude da competência e da experiência. Nada substitui o que se aprende à beira do leito.

A Medicina é a profissão da entrega, do amor. Só aprende e só a exerce com dignidade aquele que realmente vive o problema e as conquistas de seus pacientes.

Não devemos esquecer que o médico tem uma participação social muito intensa na construção da cidadania. Portanto é preciso que nas escolas a atenção seja voltada para esse aspecto que freqüentemente passa despercebido.

A educação no Brasil perdeu, de bons tempos para cá, a interrelação com a boa formação, tornando-se simplesmente um negócio para a maioria dos donos de escolas e faculdades. O reflexo da mercantilização é sentido em várias etapas dos estudos, com desdobramentos importantes em toda a sociedade. 

No Ensino Fundamental, I ou II, muitas crianças passam de ano mal sabendo ler ou formular uma oração com sujeito, verbo e predicado. Assim, começam a ruir sonhos de milhões de brasileiros que, amanhã, provavelmente não terão boas oportunidades no mercado de trabalho e comporão a parcela mais vulnerável. 

RUA BOTUCATU, 572 - CJ. 112 - SĂO PAULO - SP - CEP 04023-061
TEL (11) 5908-8385 / E-MAIL: SBCM@SBCM.ORG.BR