Artigos de Opinião

Como médico, muitas vezes chegam a mim desabafos de pacientes. São recorrentes, por exemplo, inquietudes do tipo: “Doutor, a saúde do Brasil tem jeito?” ou “Onde vamos parar com os medicamentos a esses preços?” ou ainda “É justo uma pessoa pagar tantos impostos, passar a vida se matando de trabalhar e ter de enfrentar meses de espera por uma consulta?”.

Não, nada disso é justo. O Brasil que vimos emergir em décadas recentes, lamentavelmente, já ganhou status de campeão de disparidades sociais. As prioridades foram 100% invertidas. Já o sonho de nos transformarmos em uma grande nação sucumbe paulatinamente por obra e graça de gestores de competência duvidosa e de políticos compromissados somente com eles mesmos, em sua maioria.

Pouco menos de um mês nos separam de uma nova oportunidade de mudar a história do Brasil. Em 7 de outubro, quando formos às urnas, talvez não encerremos o dia com governadores e presidente sufragados. Entretanto, já teremos decidido quase 100% do que queremos (ou do que teremos) para (facilitar ou dificultar) nossas vidas nos próximos anos.  

Será nesta data, exatamente um mês após as comemorações da Independência do País, que elegeremos deputados federais e estaduais, além dos senadores. Enfim, o momento de passar a limpo o Legislativo em todos os níveis.

Novamente uma eleição geral bate à nossa porta. Em outubro, ou seja, daqui pouco mais de um mês, teremos a oportunidade de votar para deputados federais e estaduais, senadores, governadores e até para a Presidência da República. 

Em um Brasil manchado historicamente por escândalos e mais escândalos de corrupção, com certeza é outro daqueles momentos a se pensar: “Hora de tomar atitude para não deixar passar o trem do nosso destino”. 

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) cedeu aos apelos de pacientes, órgãos de defesa do consumidor e entidades médicas, como a Sociedade Brasileira de Clínica Médica (SBCM), derrubando a Resolução Normativa 433, que estabelecia as regras das modalidades de planos de saúde com coparticipação e franquia. 

A revogação marca importante vitória na defesa dos direitos do cidadão à assistência e também na salvaguarda da Lei 9658/98, que regulamenta a rede complementar. 

Em celebração ao 30º aniversário da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, tivemos a exposição “O Brasil na II Guerra: uma batalha pela vida”, esta semana, no Centro de Convenções Rebouças, na cidade de São Paulo. 

A mostra teve o propósito de resgatar a memória dos ex-combatentes, dos médicos e profissionais da Saúde enviados à Itália, de 1942 a 1944. 

Os ex-combatentes, aliás, trazem histórias emblemáticas, como a de Miguel Garofalo, atualmente com 94 anos, um dos soldados da tropa brasileira, enviado à Itália. 

Em semanas recentes, o Brasil assistiu a mais uma prova de que parte expressiva da classe política não pode ser levada a sério e muito menos merece novo voto de confiança, muito menos nosso voto. A Câmara e o Senado aprovaram projetos que custarão aos cofres públicos mais de R$ 100 bilhões.

Bom seria se o destinado pelos nobres parlamentares fosse revertido a áreas sociais, como Educação, Segurança e nossa combalida Saúde. Só que não é o que ocorreu. O dinheiro que agora vaza do caixa da União faz parte de política de privilegiar potenciais financiadores de campanhas eleitorais. Ou seja, os senhores deputados e senadores resolveram fazer cortesia com o chapéu alheio, mais especificamente com o nosso.

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