Artigos de Opinião

Lamentavelmente o Brasil é como um cachorro correndo atrás do próprio rabo quando o assunto são as políticas de saúde.  Basta olharmos ao longo da história para constatar que, por décadas e mais décadas, a mídia, os médicos, os profissionais de saúde e os pacientes estão sempre debatendo os mesmos problemas, sem, contudo, vencê-los nunca. 

Há ao menos cinquenta anos fala-se da abertura indiscriminada de escolas médicas sem infraestrutura adequada para uma boa formação. Pois a situação só vem piorando. Hoje, já temos 331, com 34 mil vagas no primeiro ano. A maior parte delas sem hospital-escola para treinamento, sem preceptores, com corpo docente questionável e grade curricular inconsistente. 

Dias atrás o Brasil concluiu um dos mais tensos processos eleitorais de sua história. Em clima de rivalidade acirrada, com demonstrações inaceitáveis de ódio e falsas acusações, definimos enfim os novos governadores e o presidente da República para o período 2019-2022. 

Mesmo a despeito dos complicadores já citados, mais uma vez quem sai ganhando é a Democracia. O País sai das urnas mais maduro, com instituições fortalecidas e a vontade da ampla maioria consagrada. Assim, agora é o momento de virar a página e sair em busca de nossos sonhos por tempos melhores. 

Em 2017, uma em cada 100 mulheres recorreu à Justiça devido à violência doméstica, aponta estudo do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Dados do Atlas da Violência, do Ipea/FBSP (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e Fórum Brasileiro de Segurança Pública), de 2016, mostram mais de 4.600 foram assassinadas no País. 

Levantamento do mesmos Instituto registra mais de 22 mil casos de estupros catalogados no SUS (Sistema Único de Saúde), enquanto números exibidos pela Polícia são ainda superiores: 49.497. 

Como médico, muitas vezes chegam a mim desabafos de pacientes. São recorrentes, por exemplo, inquietudes do tipo: “Doutor, a saúde do Brasil tem jeito?” ou “Onde vamos parar com os medicamentos a esses preços?” ou ainda “É justo uma pessoa pagar tantos impostos, passar a vida se matando de trabalhar e ter de enfrentar meses de espera por uma consulta?”.

Não, nada disso é justo. O Brasil que vimos emergir em décadas recentes, lamentavelmente, já ganhou status de campeão de disparidades sociais. As prioridades foram 100% invertidas. Já o sonho de nos transformarmos em uma grande nação sucumbe paulatinamente por obra e graça de gestores de competência duvidosa e de políticos compromissados somente com eles mesmos, em sua maioria.

Pouco menos de um mês nos separam de uma nova oportunidade de mudar a história do Brasil. Em 7 de outubro, quando formos às urnas, talvez não encerremos o dia com governadores e presidente sufragados. Entretanto, já teremos decidido quase 100% do que queremos (ou do que teremos) para (facilitar ou dificultar) nossas vidas nos próximos anos.  

Será nesta data, exatamente um mês após as comemorações da Independência do País, que elegeremos deputados federais e estaduais, além dos senadores. Enfim, o momento de passar a limpo o Legislativo em todos os níveis.

Novamente uma eleição geral bate à nossa porta. Em outubro, ou seja, daqui pouco mais de um mês, teremos a oportunidade de votar para deputados federais e estaduais, senadores, governadores e até para a Presidência da República. 

Em um Brasil manchado historicamente por escândalos e mais escândalos de corrupção, com certeza é outro daqueles momentos a se pensar: “Hora de tomar atitude para não deixar passar o trem do nosso destino”. 

RUA BOTUCATU, 572 - CJ. 112 - SĂO PAULO - SP - CEP 04023-061
TEL (11) 5908-8385 / E-MAIL: SBCM@SBCM.ORG.BR